quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Resgate da História da Cidade Operária – Parte II

Minimizada a situação de conflitos da moradia, surgiram as necessidades de providencias dos serviços públicos essenciais; a prioridade foi a ampliação da frota de transportes, o bairro possuía duas linhas a cidade operaria São Cristóvão e Cidade Operária Planalto que pertenciam a Empresa São Luís detentora do monopólio.

A população aumentou e os ônibus não atendiam as necessidades nos horários de pico. Apesar de a empresa disponibilizar 11 0nibus em cada linha, estes prestavam serviços de forma precária com ônibus superlotados. As empresas eram registradas no município de São José de Ribamar, sem direito à meia passagem.

ex-Governador Epitácio Cafeteira

Em abril de 1987, amenizados os conflitos na questão da moradia e que as partes silenciam após as declarações do governador Cafeteira. A comunidade começa a se organizar em grupos e associações comunitárias. Com o objetivo de transformar a Cidade fantasma, parcialmente depredada, abandonada, em um local em condições habitáveis e com qualidade de vida.

Por decisão do governador no final do 1° semestre foi autorizado, a recuperação de 04 prédios escolas, o ano letivo já estava sacrificado. Sem escolas funcionando a alternativa foi estudar em escolas comunitárias ou em escolas públicas fora do bairro. O maior sufoco para as familias de baixa renda com pagamento de passagens semi urbana sem direito a meia passagem, mudando a rotina dessas pessoas.

Como funcionava o sistema de transportes

Funcionava de forma precária o empresário e deputado José Gerardo exercendo o monopólio destes serviços com 22 ônibus distribuídos entre a linha Operária Planalto e Operária São Cristovão, mais dois ônibus Janaína e 02 Santa Clara. Em horários de pico estes superlotavam.

No inicio de maio de 1987, Pedro Câmara presidente da Associação Recreativa e de Defesa Urbana, entrega em audiência a prefeita Gardênia Ribeiro Gonçalves, uma exposição de motivos, com documentos anexos que comprovavam a Cidade Operária pertencer ao município de São Luís. E conseqüentemente ter assegurado o direito a meia passagem, no cumprimento da lei municipal.

Diante do exposto, muitas variáveis dificultavam a imediata aplicação da lei. A de maior destaque apresentada pelo gabinete, foi que a empresa concessionária possuía permissão de outro município. A empresa São Luís começou a prestar serviços quando o conjunto ainda estava em construção, com tarifa de São José de Ribamar. para fazer valer o direito a meia passagem as entidades comunitárias, estudantes e membros da congregação João Calábria criaram o Movimento Popular em março de 1988, fizeram passeata e ao final interditaram a pista principal na curva da UEMA impedindo o acesso dos ônibus nos dois lados da pista.

A luta não foi fácil, pois o empresário era conhecido pelos seus métodos violentos. A policia militar esteve presente para evitar piores conseqüências. No segundo dia sem que os manifestantes soubessem o Governador Cafeteira e comitivas estacionaram na entrada da UEMA, onde iriam inaugurar a escola Justino Pereira.

O governador procurou saber o que estava acontecendo. Relatamos os fatos. Daí ele perguntou o que faltava para garantir a meia passagem. Explicamos que conforme orientação do Órgão gestor(DMT) havia pendência de transferência da linha, por parte da Secretaria de Obras e Transportes(SETOP) do Estado para o município de São Luís. Ficando o compromisso de o governador autorizar a transferência. As questões de natureza burocrática esticaram por alguns dias; e finalmente a comunidade conseguiu a conquista da meia passagem, daí por diante a Cidade Operária passou a ser tratada como município de São Luís.

Mudanças no sistema

As precárias condições dos serviços esticou até outubro de 1991, com a rearticulação dos movimentos populares de São Luís propondo mudanças no sistema de transportes e conseqüentemente acabar com a concessão de linhas, substituindo pela contratação de serviços. Na questão específica da Cidade Operária as lideranças reivindicam ao Prefeito Jackson Lago, em audiência que autorizasse ao DMT fazer um levantamento de demanda nos serviços oferecidos na região Cidade Operária.

O Secretário de Transportes na época Dr. Pádua Nazareno comprovou a precariedade dos serviços em atender uma população neste período de 100 mil habitantes, com 28 ônibus no total.

(Continua)

Por Pedro Câmara

0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...