Quem trabalha ou estuda no Centro precisa madrugar para pegar um coletivo, mas ainda passa horas na parada para conseguir sair do bairroA reportagem do JP ouviu os moradores e, acima de tudo, olhou de perto o sofrimento pelo qual eles passam para pegar o ônibus e chegar ao centro da cidade.A reportagem do JP foi informada de que o sofrimento da população da Cidade Operária com a ausência de linhas de transporte coletivo que parta do próprio bairro já dura quase 10 anos.
Desde que perdeu sua linha própria de ônibus, aquela comunidade se transformou em um enorme corredor para os coletivos que servem outros lugares vizinhos, como Santa Clara, Vila Janaína, Cidade Olímpica, Jardim América, Conjunto Alexandra Tavares, Vila J. Lima e Vila Kiola, distantes alguns quilômetros, e quando chegam à Cidade Operária já estão completamente lotados.
Os ônibus dessas outras áreas trafegam pelas principais avenidas do bairro, com destino ao Terminal do São Cristóvão e ao Centro, obrigando assim, os moradores da Cidade Operária a uma disputa acirrada por vagas dentro dos coletivos. Mesmo que, para isso, tenham que seguir em pé ou ainda permanecer quase que pendurados nas portas do ônibus que segue aberta, oferecendo riscos iminentes de acidentes aos usuários.
Mas, os transtornos não param por aí, as ruas estão praticamente sem asfalto e tomadas por crateras cheias de lama, além da falta de abrigos e paradas sinalizadas, expondo as pessoas a sol e chuva.Segundo a segurança Rosário França, que reside no bairro há cerca de 17 anos, já houve uma linha chamada Cidade Operária/São Cristóvão que abastecia satisfatoriamente o bairro, sem causar tantos transtornos como os vividos ultimamente pela população.
"Preciso chegar ao trabalho às 7h, mas para isso é necessário que eu esteja na parada às 5h30. E mesmo assim, ainda pego o ônibus lotado. Quando perco é bobagem ficar aqui - numa parada na avenida principal do bairro, pois os motoristas já nem param ao nosso sinal, uma vez que não cabe mais nem um mosquito no ônibus. Ou seja, só há disponibilidade de vaga nos que passa por volta de 9h30, aí já viu né? O jeito é enfrentar a 'cara feia' do patrão que não imagina nossa maratona diária para chegar até o Centro", concluiu ela, indignada.'Fresquinho' - Atualmente a única linha que parte do bairro é um microônibus climatizado, o 'fresquinho', que possui apenas três veículos e a passagem custa um pouco mais caro, R$ 2.
Segundo os usuários, dos três carros apenas um é novo e, por conta da frota reduzida, demora o dobro do tempo entre o intervalo de um e outro, fazendo o trajeto até o Centro em mais de uma hora.Os moradores da Cidade Operária também reclamam da estrutura dos ônibus, a maioria em péssimas condições, com tetos furados, bem como o assoalho, causando desconforto aos usuários que pagam R$ 1,70 por viagem, tendo ainda que seguir em pé por mais de uma hora e muitas vezes chegam sujos aos seus destinos.
Revoltados, dois estudantes alegaram que o bairro é praticamente independente, possui um forte e estabilizado comércio, além de hospitais e escolas, mas, dependem de ônibus que, na maioria das vezes, são originários de invasões, que não tem um terço da população da cidade Operária.
"Não estamos desmerecendo ninguém, mas como isso é possível? Um bairro como o nosso ficar desassistido dessa forma, enquanto que as invasões têm linhas próprias. Nossa escola é no São Cristovão, bem próximo daqui, mas por conta desse problema crônico de falta de ônibus temos que sair muito cedo de casa, se não perdemos aula", revelou Antônio Junior e Clara Régia, alunos da escola Cristo Rei.
Atendimento ruim - Mas, os problemas não param por aí, o técnico em informática Hamilton Pereira explicou que boa parte dos motoristas, cobradores e agentes dos Terminais de Integração são muito mal educados e mal humorados. "As paradas são descobertas, as ruas esburacadas e cheias de lama, os motoristas não param ao nosso sinal, os cobradores são enfezados e no Terminal não há organização de filas, lá desembarcam a metade das pessoas e sobem o dobro. Meu prejuízo na maioria das vezes é dobrado, pois, quando percebo que não vou chegar a tempo no serviço que fica no São Francisco, sou obrigado a pegar dois ônibus. Normalmente vou de Socorrão II e tenho que descer no Centro, para seguir em qualquer um que passe no meu destino, no final do mês sinto no bolso toda essa maratona", lamentou.
Moradores das unidades 101 e 201 são os que mais sofrem
O sofrimento pela falta de linhas próprias de ônibus atinge de forma mais extrema os moradores das unidades 101 e 201, que dependem basicamente de uma única linha, a Socorrão II/Rodoviária, que tem seu ponto final próximo ao Conjunto Alexandra Tavares - já perto da Cidade Olímpica. Esses ônibus saem do ponto final e passam por, pelo menos, seis comunidades e chegam lotados nas paradas onde os moradores das duas unidades costumam pegar o coletivo.Por já chegarem lotados à unidade 101, onde existem as paradas, muitos coletivos já passam direto, deixando os usuários para trás. Muitas pessoas chegam às 6h e só vão conseguir pegar um ônibus por volta das 7h15, também lotado.
SMTT realiza estudos para acabar com problemas
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), por meio de sua assessoria de comunicação, informou que tem conhecimento das demandas da Cidade Operária no setor de transportes e está verificando meios de melhor atender à região sem aumentar custos para os usuários. Acrescenta-se a esses projetos de melhorias a construção de abrigos e a colocação de linhas nos horários de pico, saindo direto da avenida principal do bairro.
Ônibus vazio só pode ser encontrado no ponto final
Em relação às más condições de ônibus de algumas linhas que servem à área, a SMTT vai checar essas reclamações através de vistorias de rotina, procurando adequar esses veículos às exigências das normas da secretaria, punindo aqueles que não se adequarem.
Treze linhas passam pela Cidade Operária
A Cidade Operária consiste atualmente numa área que engloba diversos bairros que são servidos por 13 linhas que percorrem vários corredores daquela comunidade. Veja abaixo as linhas:
T-072 Cidade Operaria / São Francisco
T-061 Santa Clara / João Paulo
T-071 Janaina/ Riod/ Centro
A-661 Janaina/ Terminal São Cristóvão
A-669 Conj.Alexandra Tavares/ Socorrão II/ Cidade Operaria
T-077 Cidade Olímpica / São Francisco
T-078 Cidade Olímpica / IPASE
T-079 Cidade Olímpica / Rodoviária
T-075 Jardim América /Jeniparanâ
T-063 Jardim Tropical /Santos Dumont
T-064 Jardim Tropical /São Francisco
T-062 Socorrão II / Rodoviária
A-664 J. Lima e A-665 Vila Kiola




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